A Escola Básica Integrada/Jardim-de-Infância (EBI/JI) do Couço vai ser integrada no agrupamento de escolas Educor, com sede em Coruche, contra a vontade da Junta de Freguesia do Couço. A junta emitiu um comunicado à população onde manifesta o seu protesto contra a intenção do Ministério da Educação.
Para a Junta do Couço a integração da EBI/JI no agrupamento Educor – que a partir de 1 de Agosto irá ser integrado na Escola Secundária de Coruche e ficará sob gestão comum - representa uma gestão à distância, que impede uma resposta localizada e atempada aos problemas, acarretando formalismos, atrasos e desumanizando a escola.
“O Couço está a mais de 25 quilómetros de Coruche. A escola tem apenas oito anos, tem boas condições e não se justifica a inclusão num agrupamento distante, desconhecedor da realidade socio-económica da freguesia”, justifica Luís Alberto Ferreira (CDU), autarca do Couço.
Em reacção à posição da junta de freguesia, a ainda presidente do Agrupamento Educor diz que a integração da EBI/JI do Couço é inevitável e emanada superiormente. Manifestando-se a favor da gestão vertical das escolas, Fátima Bento critica no entanto a resolução de Conselho de Ministros de 30 de Junho, que faz entrar em vigor a criação de mega-agrupamentos, que considera um processo imposto e autodirigido. “No caso do Couço, trata-se de situação particular do concelho, com uma história que não se ignora mas que, se calhar, a escola só se construiu para responder a uma reivindicação”, analisa.
O assunto foi levado a reunião de câmara, onde o presidente, Dionísio Mendes (PS), considerou positivo que se crie um modelo pedagógico que faça a gestão escolar, desde jardim-de-infância até ao 12.º ano. “Há salas de aulas livres na escola secundária enquanto na EB 2/3 estão a abarrotar. Há vantagens na gestão conjunta e a escola do Couço terá um coordenador local que responderá ao conselho directivo escolhido para o agrupamento”, exemplificou o autarca, professor de profissão.
O vereador da CDU, Rodrigo Catarino, considerou que a distância é muitas vezes um problema para os intervenientes escolares e ter um agrupamento sedeado em Coruche poderá ser menos valorizado para quem decide.
O MIRANTE
Comunicado da junta de freguesia do couço
A junta de freguesia do Couço ao tomar conhecimento da intenção do governo de retirar os poderes de decisão à EBI/JI do Couço, criando um mega-agrupamento em Coruche, manifesta o seu veemente repúdio por tal medida, considerando que:
A população da freguesia lutou muitos anos para que a escola fosse construída, pois sentia-a como uma necessidade básica e a única forma de aproximar o ensino aos jovens da freguesia,, o que aconteceu em 2002.
Pretende agora o Ministério da Educação substituir a gestão da escola no Couço por uma gestão à distancia, impedindo uma resposta localizada e atempada aos problemas, acarretando formalismos e atrasos. desumanizado a escola.
Na administração da escola deve prevalecer como prioridade o critério da natureza pedagógica e não razões meramente económicas. O que se pretende é a redução de custos gerando na freguesia mais desemprego e dificuldades ao reduzir pessoal docente e não docente.
Com esta medida está a criar-se instabilidade na escola, cuja direcção foi eleita há um ano, para um mandato de 4 anos e com um projecto educativo extensível à comunidade. Assim, está a desrespeitar-se o trabalho dos professores e a criar mais incertezas na vida das pessoas.
A EBI/JI do couço é um espaço novo com boas condições para o ensino das crianças da freguesia não se justificando a sua inclusão num agrupamento distante, a mais de 25km e desconhecedor das realidades sociais e económicas do Couço.
Queremos um ensino público de qualidade e próximo da população.
O presente comunicado provém de uma Moção enviada a:
-Presidente da Republica
-Presidente da Assembleia da Republica
-Grupos Parlamentares na Assembleia da Republica
-Ministério da Educação
-Direcção Regional de Educação de Lisboa
-Câmara e Assembleia Municipal de Coruche
Couço, 30 de Junho de 2010